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Saudades do Brasil

Saudades do Brasil

No verão de 1920, na Dinamarca, enquanto servia como secretário do poeta Paul Claudel (1868-1955), embaixador da França naquele país, o francês Darius Milhaud (1892-1974) foi aparentemente cometido de nostalgia do período em que desempenhara a mesma função no Rio de Janeiro. Milhaud chegou ao Brasil aos 25 anos de idade, em 1917, e ficou pouco mais de um ano no país, tendo travado conhecimento com compositores chaves do meio musical do país na época, como Alberto Nepomuceno, Francisco Braga e Henrique Oswald, além do jovem Heitor Villa-Lobos, que ele definiu como un temperament rude et plein d'hardiesses (“um temperamento rude e cheio de ousadia”). Ele lamentou que as obras desses compositores fossem “um reflexo das diferentes fases que se sucederam na Europa, de Brahms a Debussy, e que o elemento nacional não seja expresso de uma maneira mais viva e original”. , como exprimiu com suas próprias palavras. E acabou colocando em prática o que esperava dos compositores brasileiros de seu tempo em uma série de criações, como o bailado L’Homme et son désir (1918) e Le Boeuf Sur Le Toit (1920), um pot-pourri (sem citar nomes de autores ou obras) de várias peças brasileiras daquela época, de Chiquinha Gonzaga a Ernesto Nazareth (incluindo Escovado e Apanhei-te, Cavaquinho). Escrita na Dinamarca, mas tendo o Rio de Janeiro no coração, Saudades do Brasil, de acordo com o próprio compositor, foi “inspirada por ritmos sul-americanos, e não baseada em música folclórica”. A obra nasceu como suíte para piano solo, constituída de 12 peças curtas (nenhuma com duração superior a três minutos) cujos nomes homenageiam bairros cariocas. Politonalidade e acentos jazzísticos são alguns dos recursos empregados por Milhaud para dar conta do colorido que ele havia vivenciado nas ruas do Rio de Janeiro. O editor Max Eschig publicou a coletânea em dois volumes, em 1922, como opus 67; a versão orquestral, feita pelo próprio compositor, saiu em 1923, como Opus 67b. Quando, depois da ocupação de seu país por tropas nazistas, o judeu Milhaud chegou aos EUA, em 1940, regeu várias vezes a obra à frente de orquestras daquele país, gravando-a com a Concert Arts Orchestra, em Hollywood, em 1958. Depois de receber Milhaud no Rio de Janeiro, era a vez de Villa-Lobos ir a Paris. Com a habitual imodéstia, o compositor disse que iria à França não para aprender, mas para mostrar o que havia feito. Contudo, suas duas viagens à Europa (1923/4 e 1927/30) foram fundamentais para fixar sua opção por uma linguagem “nacional” e consolidá-lo como o maior compositor brasileiro de todos os tempos. Na capital francesa, sua música foi executada por intérpretes do quilate dos pianistas Arthur Rubinstein (1887-1982 e Magdalena Tagliaferro (1894-1986), e da cantora Vera Janacópulos (1892-1955), e elogiada por críticos influentes, como Henri Prunières (1886-1942) e Florent Schmitt (1870-1958)). Pouco executado nos dias de hoje, Schmitt dedicou sua Suíte para flauta e orquestra ao mítico Jean Pierre Rampal (1922-2000), um dos mais festejados flautistas do século XX. Em sua biografia, Rampal conta que a planejada estreia da obra foi cancelada, pois o compositor acusava seu editor de ter perdido a cópia única da partitura: “nunca toquei o concerto de Schimitt e a música nunca foi encontrada. Os anos passaram. Pouco tempo depois da morte de Schimitt (1954) percebemos que ele se esquecera de orquestrar a peça e ele esqueceu que esquecera. Somente existem hoje as partes de flauta e piano”. De acordo com o flautista James Strauss, que, contudo, Schmitt na verdade orquestrou a obra. “Nunca houve a première com orquestra, a partitura com acompanhamento de piano foi tocada pela primeira vez no dia 29 de outubro de 1959, pouco mais de um ano apos a morte de Florent Schmitt e dois meses apos a morte de Villa-Lobos”, conta o intérprete que encontrou a partitura durante uma pesquisa nos arquivos da Durant, em Paris, em 2002. “A Suíte para flauta e orquestra é uma das ultimas obras de Florent Schmitt. Já num período de extrema maturidade, a orquestração é algo transcendental, estamos dentro do universo impressionista de Debussy e Ravel”, analisa Strauss, que a considera, “ao lado do Concierto Pastoral, de Joaquin Rodrigo, uma das obras mais difíceis escritas no século XX para flauta e orquestra, com um diferencial de que a parte da orquestra é como, diria Jean Pierre Rampal, atrocement difficile" (terrivelmente difícil). Perdas de manuscritos também fazem parte da mitologia de Villa-Lobos que, retornando ao Brasil, na década de 1930, envolveu-se com um ambicioso projeto de educação musical por meio do canto coral, e empreendeu a composição da parte mais célebre de suas obras: as nove Bachianas Brasileiras, para distintas formações. De teor neoclássico, o nome das Bachianas homenageia o mestre do barroco germânico Johann Sebastian Bach (1685-1750), mas mantendo a afirmação de caráter “nacional”. Cada movimento das obras, assim, tem dois títulos-um “bachiano” e um “brasileiro”. A obra que encerra o disco possui o nome “bachiano” de Toccata e o “brasileiro” de O Trenzinho do Caipira. De caráter descritivo, a peça, uma das mais célebres do compositor, foi estreada em Veneza, em 1934, sob regência de Dmitri Mitropoulos, e parece remeter a um episódio da vida do compositor: a Excursão Artística Villa-Lobos, na qual, viajando de trem ao lado de músicos como sua primeira mulher, a pianista Lucília, os também pianistas Guiomar Novaes, Antonietta Rudge e Souza Lima, o violinista belga Maurice Raskin e a cantora Nair Duarte Nunes, ele levou música erudita a 54 cidades do interior do Estado de São Paulo. Tanto para a gravação do Trenzinho, quanto para a de Saudades do Brasil, o maestro Laércio Diniz empregou autênticos instrumentos brasileiros de percussão (ganzá, caxixi, chocalho, reco-reco e afoxé), que foram doados por ele à orquestra. Irineu Franco Perpetuo

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